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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

FÉ NA FLORESTA Na Amazônia colonial portuguesa, os jesuítas foram responsáveis pelos primeiros contatos com os índios e por sua defesa frente aos colonos. Márcia Eliane Alves de Souza e Mello. 01/6/2012.

Óleo sobre tela, 1680 x 1280 mm. Casa Cadaval, Muge, Portugal. Obra de autor desconhecido com a efígie do célebre padre jesuíta, retratado num escritório, com o manuscrito da Clavis Prophetarum, obra deixada inédita e só publicada e traduzida em 2000.

FÉ NA FLORESTA

Na Amazônia colonial portuguesa, os jesuítas foram responsáveis pelos primeiros contatos com os índios e por sua defesa frente aos colonos. Márcia Eliane Alves de Souza e Mello. 01/6/2012.

Uma Ordem Régia do rei Felipe III (1598-1621) estabeleceu uma nova unidade administrativa ligada diretamente a Portugal em 1618. Para se ter uma ideia de seu tamanho, o então chamado Estado do Maranhão abrangia os atuais estados do Maranhão, Pará, Amazonas, Amapá e Piauí. E foi nesse vasto espaço geográfico que a ação dos jesuítas se configurou como um dos pilares da colonização amazônica.

Na primeira fase da atuação jesuítica na Amazônia (1607-1643), destacam-se as atividades promovidas pelo padre Luís Figueira, que avançou para o Maranhão, em 1607, para fazer contato com os índios caetés na Serra do Ibiapaba. Após a expulsão dos franceses do Maranhão e o restabelecimento da paz, ele se fixou em São Luís, em 1622, com um grupo de missionários. Somente em 1636 dirigiu-se com outros missionários ao Pará, dando início à fundação de aldeias na região do Tocantins e do Baixo Xingu. Em 1643, quando regressava ao Pará com 14 missionários vindos de Lisboa, um infortúnio resultou na morte dos religiosos pelos índios aruans, então em guerra com os portugueses.

Os jesuítas efetivamente se instalam, a partir de 1653,em São Luís e Belém, onde fundam conventos e colégios, dando início à segunda fase de sua atuação na Amazônia colonial (1653-1686), fortemente marcada pelas queixas envolvendo colonos e o uso da mão de obra indígena. É nesse cenário que se destaca a figura do padre Antônio Vieira (1608-1697), com seus famosos sermões contra o aprisionamento dos índios nas guerras promovidas pelos portugueses e sua atuação na defesa de novas leis referentes aos nativos. Embora várias atividades dos jesuítas se inserissem positivamente em diversos aspectos da vida cotidiana, como no ensino aos filhos dos moradores, obras de caridade e visita aos doentes, as tensões causadas pela necessidade que os colonos tinham de mão de obra geraram vários atritos entres estes e os religiosos.

A terceira e última fase (1686-1760) não só foi a mais longa e mais tranquila, como foi a que proporcionou maior expansão das atividades na Amazônia colonial. O número de religiosos cresceu significativamente, chegando a 155, todos espalhados por 17 aldeias, dois colégios e um seminário.  Esse período também é conhecido como a fase empresarial dos jesuítas. Eles chegaram a ter 25 fazendas de cultivo agrícola e criação de gado, três engenhos e uma olaria, dos quais retiravam o suporte financeiro necessário para a intensa atividade missionária a que se dedicaram até 1760, quando foram expulsos dos Estados do Maranhão e do Brasil.

Marcia Eliane Alves de Souza e Melloé professora da Universidade Federal do Amazonas.

FONTE:
MELLO, M. E. A. S. E. Fé e Império. As juntas das missões nas conquistas portuguesas (Edua, 2009). http://www.revistadehistoria.com.br/secao/dossie-imigracao-italiana/fe-na-floresta. 25/01/2013.

Saiba Mais - Bibliografia

Chambouleyron, Rafael. Os jesuítas e o ensino na Amazônia colonial. Em Aberto. Brasília, vol. 21, nº 78, dez. 2007.

LEITE, Serafim.  História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Itatiaia, 2000. Vols. III e IV.

SANTOS, Beatriz Catão Cruz. O pináculo do temp(l)o. O sermão do padre Antônio Vieira e o Maranhão do século XVII. Brasília: Ed.UnB, 1997.

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