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domingo, 5 de junho de 2011

COMUNICADO Aula Prof. Dr. Leandro Duarte Rust - 06 de junho 2011 - SEMINÁRIO

LEMBRETE: Apresentação de Trabalho e Debate do texto:
LEMBREM-SE

TEXTOS: As Origens do Pensamento Grego - Vernant - Capitulo 2,3 e 4.  E Política - Aristóteles.


Jean-Pierre Vernant
O professor Jean-Pierre Vernant faleceu em 9 de janeiro de 2007, aos 93 anos. Verrnant foi responsável por uma modificação significativa em nossa compreensão das origens do pensamento grego, substituindo o mito do “milagre grego” pela análise concreta das condições históricas que deram nascimento à filosofia. Nascimento associado ao da Cidade grega, em particular da democracia, este regime em que, diz ele, o poder está “no centro”, eqüidistante de todos, de modo que, ao contrário de qualquer outra formação histórica, torna necessário o recurso à razão para fazer valer uma determinada posição. Do mesmo modo que a Cidade grega já não se subordina à autoridade do déspota, que dá ordens, sem necessidade de argumentar, o filósofo não se contenta com a autoridade tradicional e divina do mito. A compreensão das modificações históricas que propiciaram o surgimento da Cidade, por sua vez, exige a análise da especificidade grega, da radical novidade do regime de escravidão até, no limite, a consideração do tipo particular de produção de ferro. Um programa assumidamente “materialista”, chamado por Vernant de “psicologia histórica”, que soube se manter ao largo da vulgaridade e que se estende pela longa produção de dezenas de livros, muitas vezes regida pela análise do mito: “Mito e Pensamento”, “Mito e Trabalho”, “Mito e Sociedade”, “Mito e Tragédia” etc. Ou melhor, Entre mito e política, como no título de sua “auto-biografia” (publicada em 1996 e traduzida pela Edusp em 2001), na realidade, um extraordinário “memorial” de sua vida acadêmica e política.
Vernant, o historiador erudito, também foi, o “Coronel Berthier” da Resistência francesa ao nazismo e, depois da Guerra, militou no Partido Comunista até 1969. Sem nunca deixar de ser résistant. Ainda em 2002, forneceu ao editorial do jornal francês Le Monde o argumento definitivo contra a idéia de um debate entre os dois candidatos de então ao segundo turno das eleições presidenciais, Jacques Chirac e Jean-Marie Le Pen, o representante da extrema-direita: “minha porta e minha mesa, dizia ele, estão sempre abertas, estou pronto a experimentar todos os pratos, mesmos os mais estranhos. Mas não se discute receita de cozinha com antropófagos. Não pretendo nem participar de seu repasto nem convidá-los para a minha mesa...”.
Em 1971, o prof. Jean-Pierre Vernant ministrou um curso semestral no Departamento de Filosofia da FFLCH-USP. Uma experiência inestimável e inesquecível para os jovens estudantes que tiveram o privilégio de ouvi-lo. E de vê-lo, na sua impecável e discreta compostura professoral, mesmo sob calor insuportável dos “Barracões”.
Também aqui o rigor da formação não se desvinculava da ação política. No começo dos anos 70, depois que a Ditadura Militar cassou e exilou tantos dos nossos professores, o Depto. de Filosofia estava ameaçado de extinção porque “não tinha o número necessário de professores”... Para impedir que isto acontecesse, alguns professores de outros departamentos da Faculdade se transferiram para o de Filosofia. Foi quando Jean-Pierre Vernant e François Châtelet se prontificaram a lecionar aqui, dando a necessária visibilidade internacional à situação do Departamento. À constante influência intelectual, somou-se a presença solidária quando mais se fez necessária. A morte de Jean-Pierre Vernant nos privou de um mestre e de um amigo da casa.
Fonte: Prof. Dr. J. C. Estevão.Departamento de Filosofia. http://www.fflch.usp.br/df/site/index.php?pg=hom_jpv.html 
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