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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Autores Citados em aula - Prof. MSc. CLAUDYANNE RODRIGUES DE ALMEIDA


Franz Boas (Minden9 de julho de 1858 — Nova Iorque21 de dezembro de 1942) foi um antropólogo teuto-americano.Nascido numa família judaica liberal, seu pai, Meier Boas, era um comerciante de sucesso e sua mãe, professora de jardim da infância. Ambos os pais de Boas eram influenciados pelo "espírito" da Revolução de 1848 mesmo anos após o seu término. A influência dos princípios políticos de seus pais durante sua infância e adolescência teria reflexos na formação de suas idéias pioneiras sobre raça e etnicidadeSua primeira inserção no campo científico não se deu a partir da Antropologia, mas sim da Física, curso no qual Boas se qualificou como doutor pela a Universidade de Kiel em 1881. Através de sua dissertação de doutorado "Contribuições para o Entendimento da Cor da Água" Boas buscou demostrar como os domínios da experiência humana "através dos conceitos de quantidade… não eram aplicáveis". Foi em uma viagem para Baffinland com a intenção de escrever um livro sobre psicofísica, enquanto trabalhava com um grupo de esquimós (inuit) que Boas vivenciou a sua primeira experiência de campo. Tal experiência foi determinante para sua mudança disciplinar e o início de suas reflexões antropológicas. Em 1887 Boas emigrou para os Estados Unidos, mas somente depois de sua primeira publicação que se tornou referência enquanto antropólogo. Diferente dos evolucionistas que dominavam a Antropologia em seu princípio, Boas argumentava que em contraste com o senso comum, raças distintas da caucasiana, "raças como os índios do Peru e da América Central haviam desenvolvido civilizações similares àquelas nas quais as civilizações européias tinham sua origem". Embora seus escritos ainda reflitam certo racismo inerente ao seu tempo, Boas foi pioneiro nas idéias de igualdade racial que resultaram nos estudos de Antropologia Cultural da atualidade. Como orientador de antropólogos notáveis como Margaret MeadMelville HerkovitsRuth Benedict e do brasileiro Gilberto Freyre, Boas ficou conhecido posteriormente como pai da Antropologia contemporânea. De todas as suas idéias, a formulação do conceito de etnocentrismo e a necessidade de estudar cada cultura singularmente por seus próprios termos exercem, ainda nos dias de hoje, uma enorme influência nos estudos antropológicos. Em sua obra, Boas se contrapôs aos evolucionistas, que compreendiam as culturas das sociedades não-caucasianas como inferiores. É através de seus estudos que a idéia de uma escala evolutiva das sociedades partindo de agrupamento de homens "selvagens" ou "naturais" e chegando as "sociedades civilizadas" européias vai sendo gradualmente abandonada pelos estudos antropológicos… Dois índios particularmente responsáveis foram enviados pelo conselho dos anciões a visitar um grupo que quase uma geração antes havia se separado para caçar em uma região pouco conhecida e mantivera só contato esporádico com a tribo. À volta, relataram sobre seu encontro com os representantes do grupo: tinha constituído uma espécie de novo conselho dos anciões e deram as informações desejadas sobre a região. Os dois emissários expuseram "verbatim" (literalmente), o conteúdo das conversas imitou as expressões dos rostos dos interlocutores, que para nós europeus parecem sempre impassíveis, mas das quais os índios detectam as mínimas nuances, salientaram uma sombra de reticência, num determinado momento e contribuíram na análise dos resultados da empresa, realizada pelo conselho: lá devia haver mais facilidade de caça do que os membros do grupo queriam admitir. (FRANZ BOAS, 1890, de uma carta a um amigo na Alemanha, na qual comunicava que decidira dedicar-se exclusivamente à antropologia.) Franz Boas criticou com veemência os determinismos biológicos e geográficos, além da crença no evolucionismo cultural. Boas apontava que cada cultura é uma unidade integrada, fruto de um desenvolvimento histórico peculiar. Enfatizou a independência dos fenômenos culturais com relação às condições geográficas e aos determinantes biológicos, afirmando que a dinâmica da cultura está na interação entre os indivíduos e sociedade. Dentre suas obras principais, destacam-se: "The Mind of Primitive Man", de 1911 (A Mente do Homem Primitivo), "Primitive Art", de 1927 (Arte Primitiva), e "Race, Language and Culture", 1940 (Raça, Linguagem e Cultura). Além das severas críticas que fez ao método evolucionista, Boas também criticou o hiper-difusionismo e o funcionalismo, ambos em evidência na época. O evolucionismo buscava leis gerais que regessem toda a humanidade, concebendo uma evolução igual para todas as sociedades. Os fenômenos semelhantes que ocorrem em épocas e lugares diferentes, provariam a existência de uma origem comum da humanidade. Boas, pelo contrário, afirmava que esses fenômenos similares poderiam ter se originado por caminhos diversos, e que o mesmo fenômeno tem sentidos variados em cada cultura. Antes de se fazerem suposições, devia-se investigar a fundo as causas dos fenômenos, utilizando-se da investigação histórica, tão defendida por ele. O segundo método, o hiper-difusionismo atribuia a criatividade a alguns poucos grupos - como egipcios e gregos - que passariam o seu legado para outras culturas. Boas critica ainda o funcionalismo que vê as culturas apenas enquanto adaptações do Homem às suas necessidades, naquilo de C. Geertz chamaria de "visão estratigráfica". Isto é, enquanto os funcionalistas vêem a cultura como algo limitado pelo biológico, Boas reconhece esta limitação mas sugere que a cultura pode, por vezes, ultrapassar tais limitações. Além disso, Boas inaugura o conceito de culturas, no plural, através do particularismo histórico - onde cada cultura tem sua própria história. Segundo Boas, todas as culturas são dinâmicas, sofrem mudanças ao longo do tempo. E o objetivo da pesquisa antropológica, para Boas, está em compreender os fenômenos dessas culturas particulares, e qual sentido os membros de uma cultura atribuem às suas práticas; ao invés de estabelecer leis gerais, como pensavam os evolucionistas. É importante ressaltar que,os evolucionistas não eram necessariamente racistas, mas etnocentricos, visto que admitiam o "selvagem" como uma etapa de sua própria linha evolutiva"
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