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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Autores Citados em aula - Prof. MSc. Bertolini


Marc Ferro

Formado em História, Marc Ferro (nascido em 1924) é historiador francês de grande importância e de destaque entre os historiadores. No inicio de sua carreira teve dificuldade de ingressar na carreira acadêmica, mas com ajuda de Fernand Braudel, um dos mais importantes historiadores da França, conseguiu mostrar sua importância ao mundo. É um dos principais nomes da 3ª geração da "Escola dos Annales". Ferro é conhecido por ter sido o pioneiro, no universo historiográfico, a teorizar e aplicar o estudo da chamada relação cinema-história. Como acadêmico, foi co-diretor da revista Les Annales (Économies, Sociétés, Civilisations), ensinou na l’École polytechnique, foi diretor de estudos na IMSECO (Institut du Monde Soviétique et de l’Europe Central e Oriental), membro do Comitê de redação do Cahiers du monde russe et soviétique e professor visitante nos EUA, Canadá, Rússia e Brasil. Sua estadia na Argélia, em pleno fervor revolucionário, também não pode ser esquecida. De volta a França, ajudou a organizar comitês de solidariedade aos argelinos. Em 1996, esteve no Brasil (Salvador-Bahia), participando de um simpósio internacional: A Guerra de Espanha e a relação cinema-história, organizado pela Oficina Cinema-História (UFBA). “História das colonizações” um dos ensaios mais abrangentes já produzidos sobre o fenômeno das colonizações na história moderna e contemporânea. Com a erudição e a clareza que caracterizam seu trabalho, Ferro trata da expansão colonial européia, traçando uma visão histórica comparativa com outros colonialismos, entre eles o árabe, o turco e o japonês. No final, após fazer o balanço da chamada descolonização do pós-guerra, ele propõe o interessante conceito de "imperialismo multinacional", forma atual de controle sobre os países pobres e que advém da mundialização da economia e da globalização de estruturas de poder político para além das fronteiras dos estados nacionais.

Detalhes da sua Obra: A História Vigiada
Wuldson Marcelo Formação Bacharelado de Filosofia


Publicado em 1985 o livro de Marc Ferro insere-se no inóspito terreno das dificuldades que os historiadores encontram para confrontar as ideologias que sustentam a autoridade institucional (e, em muitos casos as das contra-história) e os mitos que essas geram. Os focos da História institucional altera-se conforme os ocupantes dos cargos preeminentes do Poder. O sentido de um acontecimento ou de uma personagem muda de signo, acompanhando as mudanças de regime político ou a simples troca de governante. Símbolos como Joana D''Arc tiveram (e ainda têm) as suas ações transformadas inúmeras vezes, dependendo da necessidade ou estratégia política que a "época" exigiu. Ferro relata a incapacidade dos historiadores em romper o silêncio sobre assuntos difíceis e embaraçosos para as nações, seja por questões que manchariam a legitimidade do Estado ou alguma instituição ou que a própria sociedade impõem para asegurar o fortalecimento de sua imagem. Ao discorrer sobre a história oficial, a contra-história, a história autonôma,a história local em relação a história geral, o autor apresenta tanto as formas de apreensão dos discursos de refutação, como a interdição pela história de eventos locais que têm sua relevância ignorada para a imposição de uma visão globalizante. Ferro indica que o conhecimento histórico requer critíca e comparação de narrativas. Para abarcar o que a história pode nos contar é fundamnetal atentar-se aos procedimentos de observação e percepção do passado e de inteligibilidade do presente. Marc Ferro descreve a função do historiador com dupla: conservar e depois tornar inteligível. Eís uma tarefa que reivindica coragem e batalha contra a lei dos vencedores.

A História Vigiada
 Quem controla o nosso acesso ao passado?
Em livro escrito no ano de 1985, mas publicado aqui quatro anos depois, o historiador Marc Ferro fazia um alerta sobre as limitações impostas aos historiadores profissionais. Assim, já no prefácio do livro, Ferro tecia considerações importantíssimas sobre aspectos da produção do saber histórico em nossa atual condição "pós-moderna" que merecem uma análise crítica. Ferro principia seu escrito sinalizando para uma convicção pessoal de que "hoje, mais do que nunca, a história é uma disputa." Afinal, conforme ele acertadamente aponta, "controlar o passado sempre ajudou a dominar o presente". Para Ferro, portanto, quanto maior fosse a difusão do saber, maiores e mais rigorosos seriam o controle sobre a produção histórica. Controle este emanado do Estado e de seus organismos, mas também da sociedade, que se dedicaria a fazer todo tipo de "censura e autocensura" a "qualquer análise que possa revelar suas interdições, seus lapsos, que possa comprometer a imagem que uma sociedade pretende dar de si mesma". O historiador francês então exemplifica recorrendo ao cinema e suas produções "históricas" para frisar que, nos Estados Unidos, em que a produção de westerns (os famosos filmes sobre o Velho Oeste) é infinita, existem "muito poucos filmes históricos em que os negros sejam colocados em cena". O mesmo podendo ser dito, continua Ferro, acerca das nações indígenas. Por conseguinte, "a sociedade freqüentemente impõe silêncios à história; e esses silêncios são tão história quanto a história". Assim, precisamos nos perguntar, ao lado de Ferro:

 "sobre as condições que determinam a produção e a natureza das obras históricas, quer dizer, que temas elas privilegiam, de que maneira os abordam e como esses dados evoluíram através do tempo”.

Referencia: Blog Minhas Idéias - Lair - Historiador, 36 anos, Mestre pelo PPGHC /UFRJ, membro dos grupos de pesquisa "O Jesus Histórico e sua recepção" e "História, Memória e Literatura Bíblica", investiga o Judaísmo e o Cristianismo do século I.
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